Mais serviço e alguma polêmica, Menos inovação: a nova era da Apple pós-iPhone

A Apple de 2020 é mais uma máquina azeitada capaz de compensar o platô nas vendas do seu produto mais conhecido com um aumento de assinaturas

(Jobs – criador da Apple)

NOVA YORK – No final do pregão de sexta-feira (14), o valor de mercado da Apple era de US$ 1,95 trilhão. Para quem presta atenção em marcos desse tipo – e até para quem não se importa a esse tipo de número -, é difícil compreender a enormidade da cifra: quase US$ 2 trilhões.

Somente neste ano, as ações da Apple subiram mais de 50%. O valor de mercado da empresa, o maior de uma companhia no mundo, supera o PIB de países como Brasil e Espanha e colocando a Apple no grupo das dez maiores economias do Mundo.

Mas o sucesso recente da Apple tem cada vez menos a ver com inovações que marcam época e mudam nossas vidas.

Pelo contrário: a Apple de 2020 é mais uma máquina azeitada que uma força de ruptura, capaz de compensar o platô nas vendas do seu produto mais conhecido, o iPhone, com um crescimento expressivo na venda de serviços por assinatura.

É claro que a tecnologia continua tendo um papel essencial no que se faz em Cupertino, Califórnia. Mas a principal novidade técnica está nos bastidores, longe dos olhos do consumidor.

Em junho, a empresa anunciou que, depois de uma parceria de 14 anos, seus computadores deixarão de usar processadores da Intel.

O cérebro dos Macs agora será feito em casa. Sob a liderança discreta de Tim Cook, a Apple agora tem controle quase completo do seu destino.

Os resultados trimestrais anunciados no final de julho retratam uma empresa que há muito deixou de contar com o iPhone como espinha dorsal do seu negócio.

Dos US$ 59,7 bilhões em receitas, US$ 26,4 bilhões vieram da venda de celulares. Eles ainda são os líderes de faturamento, mas a soma dos serviços (US$ 13,1 bi) e do Apple Watch (US$ 6,4 bi) aos poucos vai se aproximando do carro-chefe da companhia.

Apesar de um pequeno aumento nas vendas do iPhone, em relação ao mesmo período do ano passado (1,9%), Cook sabe que o negócio de movimentar hardware não terá mais o crescimento explosivo do passado.

Uma análise da Bernstein Research de 2019 indicou que os consumidores fazem o upgrade de seus celulares a cada quatro anos, em média.

As mudanças nos novos modelos são cada vez mais incrementais, não transformadoras, e a crise econômica causada pela pandemia certamente vai fazer muita gente aguentar um pouco mais com o celular que tem na mão.

Mas a pandemia também significou mais tempo em casa para consumir aplicativos e serviços em celulares e iPads – e é aí que a estratégia da Apple começa a ficar mais clara.

Segundo os dados mais recentes divulgados pela empresa, o serviço de streaming Apple Music contava com 60 milhões de assinantes em meados de 2019.

O líder mundial é o sueco Spotify, com mais de 120 milhões de assinantes – mas a Apple só entrou nesse segmento em 2015, sete anos depois do principal concorrente.

Apple

Se no mundo da música a Apple já tinha um histórico de sucesso comprovado, primeiro com o lançamento do iPod e depois com a loja de downloads iTunes Store, na TV a empresa está entrando num mundo inteiramente novo.

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